Mais
de 180 foram encaminhados para a sua terra de origem, mas muitos são
nômades. Os dependentes químicos são em torno de 80% do total e alguns
chegam a arrecadar entre R$ 100 a R$ 150/dia.
Janete Araújo
CHAMOU A ATENÇÃO da
equipe que faz a abordagem social o fato de que a maior aglomeração da
população de rua fica no Centro da cidade
IPATINGA - O Promotor de Direitos Humanos da 6ª
promotoria de Ipatinga, Bruno César Jardini, tomou a iniciativa de criar
o “Projeto Paz nas Ruas”. Ele conta que por meio dele envolveu várias
entidades do município visando minimizar um problema que já vem há algum
tempo incomodando e trazendo sérios transtornos para a população da
cidade, espalhando-se por vários bairros, que é a multiplicação dos
moradores de rua. A partir daí começou então o trabalho da abordagem
social, que vem diagnosticando a realidade dos moradores de rua no
município e está praticamente terminado. Mais de 400 moradores foram
encontrados e o número é ainda mais elevado, já que há aqueles que
oferecem mais dificuldade para cadastramento, dada a sua característica
de nômades.
Janete Araújo
Segundo o promotor, a abordagem foi iniciada no início de
fevereiro, e a demora em sua conclusão, que é prevista para o final
deste mês, se deve ao fato de muitos moradores se mudarem frequentemente
de local nos seus pernoites. Por isso, no momento a tentativa é abordar
aqueles que já se sabe existir mas não constam da estatística, diz o
promotor.
“O processo é realizado por representantes dos Conselhos
Comunitários de Segurança Pública (Conseps), Projeto Videiras,
Ministério Público (MP), Ordem dos Advogados (OAB), médicos, assistentes
sociais da prefeitura e estagiários. Quando necessário, a Polícia
Militar também é solicitada. Esses são os membros do Projeto Paz nas
Ruas”, detalha Bruno Jardini.
“Visamos com o projeto dar um
tratamento adequado para estas pessoas, pois só a higienização que é
utilizada em algumas cidades não funciona. Então a ideia seria conceder o
tratamento químico para aqueles que necessitam, internando-os em casas
de recuperação, dando assistência aos que precisam. Temos ainda o
objetivo de reabrir o abrigo de permanência breve, fechado desde o final
do ano passado”, destaca ainda o promotor, referindo-se às instalações
que eram oferecidas num imóvel ao lado da Delegacia Regional.
Bruno
Jardini ainda observa que o município deve criar um Centro de Referência
Especializado para a População em Situação de Rua (Central POP), com
programas para a retomada do convívio social e familiar, emissão de
documentos, centro de convivência, cursos profissionalizantes e
acompanhamento psicossocial visando à ressocialização dessas pessoas em
situação de rua.
Janete Araújo
Bruno César
Jardini, promotor de Direitos Humanos de Ipatinga: “Visamos com o
projeto dar um tratamento adequado para estas pessoas, pois só a
higienização que é utilizada em algumas cidades não funciona”
Diagnóstico
Já foram diagnosticados mais de 400
moradores de rua em Ipatinga. Desses, mais de 180 foram encaminhados
para a sua terra de origem. Curiosamente, os dependentes químicos,
usuários de drogas e álcool são em torno de 80% do total. Muitos são
moradores da cidade e têm família, mas por residirem há tempo demais nas
ruas pode ser difícil a sua reintegração social e familiar. Outro dado
que chamou a atenção da equipe que faz a abordagem social é que a maior
aglomeração da população de rua fica no Centro da cidade, principalmente
nas ruas Sorocaba, Raposos, Sabará, Araguari, Uberlândia, Ouro Preto e
nas praças José Júlio da Costa e da Bíblia. Em segundo lugar eles gostam
de se aglomerar na BR-381 e perto no Ginásio do 7 de Outubro, nas
proximidades do Parque Ipanema.
O grande problema é que esses locais
servem de passagem para as pessoas que residem nos bairros Jardim
Panorama, Parque Caravelas, bairro Caravelas e Veneza 2. No bairro Novo
Cruzeiro, por exemplo, há uma fábrica de roupas e cerca de 80
funcionários transitam por essas imediações, sendo que a presença dos
moradores de rua causa transtornos e incomoda a população.
Fórum Intersetorial debaterá a questão no dia 16 de maio
Também
ficou claro durante a abordagem do Projeto “Paz nas Ruas” que a maioria
dos moradores de rua são homens e que todos preferem permanecer nas
ruas pela facilidade em obter comida e dinheiro. Alguns deles chegam a
arrecadar entre R$ 100 a R$150/dia.
“Após o diagnóstico, a PM vai
receber uma ficha de todos os dados que foram apurados para possível
averiguação de pendências criminais entre as pessoas que foram abordadas
pela equipe da Abordagem Social”, explica o promotor de Direitos
Humanos.
Para finalizar todo o trabalho desenvolvido até agora, está
marcado para o dia 16 de maio (uma quinta-feira) o 1º Fórum
Intersetorial sobre Políticas Públicas para População em Situação de
Rua. O evento acontecerá de 18h30 às 21h30, na Câmara de Vereadores de
Ipatinga, com o tema “O Fenômeno População de rua”, e terá como
palestrante Gladston Figueiredo, da Pastoral Nacional do Povo da Rua. O
Fórum vai definir as ações que serão realizadas para os casos
diagnosticados durante a abordagem.
Fonte:
Jornal Vale do Aço