sábado, 4 de maio de 2013

Obra estratégica p/ o trânsito ainda sem previsão

Não há homens nem máquinas trabalhando na Avenida Manaim, que deveria ligar o Canaã ao Parque Ipanema


Lairto Martins

MAIS DE 70 FAMÍLIAS permanecem no local em situação de precariedade, sem energia ou mesmo água encanada
IPATINGA – Presente no texto bíblico, a palavra hebraica “Manaim”, que denomina o local de ajuntamento dos exércitos de Israel, foi escolhida para batizar uma avenida sanitária com extensão de 1,6 km que seria construída em uma das regiões da cidade com maior fluxo de veículos. A nova via de tráfego, ligando a região da feira do bairro Canaã ao Parque Ipanema, deveria desafogar as avenidas Minas Gerais, JK e Brasil - respectivamente nos bairros Caçula, Jardim Panorama e Iguaçu -, mas após investimento de milhões da Prefeitura, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não foi cumprido o objetivo. Não há homens nem máquinas trabalhando no local atualmente. Há também um grave problema social envolvido, já que as comunidades carentes Vila da Paz e Amazonita, localizadas no curso da obra, continuam existindo em condições de absoluta precariedade.

Foram removidas da Rua Amazonita 17 famílias, que passaram a ter o aluguel custeado com recursos do município. Outras 70, pelo menos, continuam no local, sem saneamento básico, pavimentação e tampouco há fornecimento de energia elétrica – a não ser pelos “gatos” que formam uma complexa teia, aumentando os riscos de quem mora ali.

Sem iluminação, a insegurança ameaça os habitantes, diante do crescimento do comércio de drogas nos arredores. A criminalidade agradece a ausência do Estado. “Aqui a única forma de atuação do Poder Público é quando aparecem as viaturas”, desabafa um morador que preferiu não ser identificado. Ele também revelou à reportagem do jornal VALE DO AÇO que até hoje permanece o impasse entre a Prefeitura e a proprietária de um terreno de mil metros quadrados que seria desapropriado para dar lugar à avenida, mediante indenização de R$ 34 mil. “Ninguém aceitaria um valor desses”, especulou o homem.

NOTA OFICIAL
Lairto Martins

O QUE DEVERIA ser um movimentado canteiro de obras hoje mais parece uma bucólica pastagem de cenários rurais
Instada a se posicionar oficialmente, a prefeitura limitou-se a informar, por meio de nota da Assessoria de Comunicação, que a administração municipal discute o problema junto ao BNDES e Ministério das Cidades. Esclarece ainda que o financiamento estaria paralisado porque o governo anterior não teria cumprido as obrigações assumidas junto aos referidos órgãos. “Dessa maneira, tudo o que se refere às obras na avenida Manaim depende desse acerto”, acrescenta o breve texto.

Em sua solicitação, a reportagem questionou quanto já teria sido investido na obra, qual o cronograma para sua execução e previsão para que seja inaugurada; quanto o município está gastando para custear o aluguel das 17 famílias que foram removidas e quais soluções estariam sendo providenciadas quanto ao problema social das mais de 70 famílias que permanecem na Rua Amazonita. A esse respeito, até o fechamento desta edição as informações não foram fornecidas pela prefeitura.
Fonte: Jornal Vale do Aço

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